vamos voltar? você me pergunta. e nesse mesmíssimo instante, todo o universo paralelo que construímos para nós começa a desmoronar.
cada vez que retornamos, existem infinitas pequenezas dessemelhantes. fingimos não notar porque sabemos que é aí que mora o esquecimento dos lugares. se atentarmos para isso, cada vez serão maiores as diferenças – o esforço de sustentar o real não nos permite reproduzir fielmente o lugar que apenas existe quando estamos.
é triste. mas tentamos não pensar nisso.
logo depois que passamos pelo portal, você me fala dela. me fala sobre doces. num choque, percebo que passamos de novo pro lado de cá e agora existem de novo as arestas agudas. tenho medo de me espetar então não digo nada.
você vai contar estórias de novo. coisas que parecem importantes. eu já não vejo o sorriso no canto do seu olho: ficou perdido na areia escura. anoitece. mas antes, o que era chuva fina se transforma num sol insistente saindo de trás das nuvens. você coloca o óculos. fotofóbico. os carros vão zunindo ao redor até a gente se perder de novo na confusão do trânsito e nos caminhos que conhecemos melhor.
esse dia acabou.
e a gente não sabe se virão outros.

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