se você olhar agora
(para os mortos na estação)
entenderá que:
o brilho das retinas guarda em silêncio as lembranças;
a mulher que fala está ausente;
os cegos saltarão o vão.
fecham-se as cortinas
e a luz parte agora mesmo
para o túnel.
(nesse segundo e meio
de escuridão
eu desenho o homem dormindo.)

storm

quando o nevoeiro se dissipar liberando a paisagem, quando o mar ressurgir por detrás das nuvens densas e baixas, quando pudermos ver de novo aquela ponte que leva aos lugares onde nunca fomos libertando de novo alguns futuros como possíveis.

quando o mar revolto se acalmar. e o estrondo que fazem as ondas agora silenciar em espuma. quando a areia varrida pelo vento sossegar.

quando os pequenos tornados de poeira cessarem o rodopio e a sujeira espalhada pela rua vier acompanhada da calmaria que sucede as tempestades.

vai chegar aquele sossego triste que sentíamos à tarde quando o barulho das crianças silenciava no infinito – daquele jeito instantâneo e imprevisível que nos pregava sustos ao avesso.